A ironia do ufanismo brasileiro é acentuada a cada dia. Podemos dizer que o nacionalismo no Brasil possui realmente peculiaridades. Os brasileiros têm uma impressionante afinidade com a nação, simultâneo a um impressionante descaso. A ojeriza á regras, a dissimulação do preconceito e a falta de alteridade da sociedade brasileira refletem profundamente o caráter nacional.
O brasileiro ama o Brasil, pois temos a liberdade autêntica, e cada brasileiro possui a característica inata do julgamento. Cada um sabe o que é bom para ele e seus compatriotas. Se não fosse assim, não teríamos aqueles maravilhosos carros de som, um dos exemplos de altruísmo nacional, que percorrem os bairros das cidades distribuindo música para todos, todavia, excetuando essa, a pratica do nosso nacionalismo também é a usurpação das repartições com se fossem a escrivaninha de casa, uma politicalha que faz do governo um canalizador de ganhos próprios, além dos já banalizados avanços de sinal, desrespeito ao pedestre, estacionamento proibido, excesso de velocidade, assaltos e furtos.
Quem corrompe as regras tem um arsenal de justificativas para fazê-lo e as julgam como direitos inalienáveis, enquanto os que aceitam tal corrupção, o fazem menos por falta de discernimento ou displicência, mas por saberem que sua vez de também corromper chegará. Assim, aceitam a utilização de intermediários para a solução de entraves burocráticos, ou que dirijam a 80 km em ruas de bairros residenciais, ou paguem e recebam propina, pois no final todos querem possuir a “liberdade” e facilidade de fazer o mesmo. O público acaba por tornar-se privado, já que tudo passa a funcionar através de uma ética do particular, que com o decorrer da história passa a ser assimilado e repetido por toda a sociedade.
Além do mais, como nossa capacidade de julgamento é inata, temos a tendência de nunca estarmos errados, sendo todas as nossas atitudes certeiras. Quando acontece um erro de cálculo, um acidente, a culpa é do acidentado, que entrou na frente do carro, ou o álibi é a violência, “estava fugindo de dois motoqueiros!”, ou, “achado não é roubado”, irresponsável é quem perdeu. Temos, enfim, um perverso talento para acharmos culpados com facilidade e arbitrariamente incriminá-los.
Assim, perpetuamos no Brasil os “bodes-expiatórios” para as nossas falhas e cultivamos uma série de desvios como normais e necessários a nossa sobrevivência. Talvez, acreditemos no Brasil, mas, ao que parece, em momento algum perderemos a nossa pretensão de transformar o público em privado. Todas as tentativas de universalização de direitos mais destituíram do que agregaram liberdade ao povo: a saúde, a educação, o transporte, a justiça, só funcionam quando privados. E o resto, que dê seu jeito, pois este país é uma beleza que só vendo!
Um comentário:
Isso aí! Viva o povo brasileiro... sem cosciência o suficiente para defender direitos básicos de cidadania mas com uma puta disposição para pular carnaval!!!!!
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