sábado, 14 de agosto de 2010

Supertramp

Na Natureza Selvagem (Into the Wild), um filme que conta a história de Christopher McCandless, um jovem que após terminar todas as conveniências sociais decide buscar algum sentido, e ao que parece este sentido esta intimamente relacionado a liberdade.
Primeiramente o que ele busca é soltar-se das amarras do dinheiro e de uma vida convencional, que como dizia um amigo meu, lhe daria a oportunidade de possuir um “Gold Visa”, ou seja, usufruir de tudo que uma pessoa padrão gostaria: dinheiro e respeito.
Para isso nosso protagonista sai pelo mundo e usufrui de experiências, suas e de outras pessoas que o ensinam o penoso e o sereno da vida. Mas, ainda insatisfeito, arrisca-se mais, saí em busca do isolamento, segue o seu percurso para o Alasca e lá se isola por completo.
Neste momento, a busca da liberdade se concretiza, o afastamento total a independência em relação aos demais, o fim da vaidade.
É neste ponto que os medos perdem o sentido e só resta um desejo possível, a sobrevivência. Nosso herói se da mal neste último desejo, a natureza mostrou-se imbatível ao desafio.
Parece-me importante refletir sobre a “auto-suficiência”, a noção de liberdade que surge a partir dessa possibilidade. O que mais pode parecer antagônico neste processo é o medo de amar, ou não. A incapacidade de amar é assustadora não pelo sofrimento derivado da falta de sentimentos, pois a falta deles não é um motivador do sofrimento, mas sim a sua existência. Não amar é sentir se alijado do prazer que ele proporciona, algo próximo a sentir se feliz, um sentimento que assusta, pois ele sempre precede momentos piores.
Sendo assim, a busca pela “auto-suficiência” através do isolamento é de fato uma busca pela liberdade, com o fez Christopher McCandless, contudo este auto-conhecimento quando se esta em sociedade é caótico, mesmo sendo fundamental para a liberdade.
Outro inibidor da liberdade é o contraponto que ela faz à felicidade, pois ela impede realizações de completude que estão diretamente relacionadas a uma projeção em outra pessoa ou coisa. Como podemos ser livres e dependentes simultaneamente?
Se o que nos move é o desejo, mesmo que seja o desejo primário pela sobrevivência, a liberdade já se distancia, e se posteriormente o que nos moverá é o desejo de aceitação, aí já era, seremos escravos para sempre.

domingo, 8 de agosto de 2010

Anuncio meus cacos, já fui um jarro trincado, agora restaram apenas os cacos.

Já vivi isso, me espatifar de cima de uma mesa, em queda livre. Mas agora parece que os pedaços espalhados são menores e mais difíceis de catar. Espalharam-se por toda a sala, embaixo do sofa, pela fresta da porta.

Será que vão faltar pedacinhos, ficarei com buracos pelo meu corpo? Será que alguém vai se lembrar de ao menos junta-los em um saquinho e deixar no canto da copa, ou, irão varrer e jogar varanda abaixo?

Anuncio meu coração e minha dor, os compartilho com quem vier.