Na Natureza Selvagem (Into the Wild), um filme que conta a história de Christopher McCandless, um jovem que após terminar todas as conveniências sociais decide buscar algum sentido, e ao que parece este sentido esta intimamente relacionado a liberdade.
Primeiramente o que ele busca é soltar-se das amarras do dinheiro e de uma vida convencional, que como dizia um amigo meu, lhe daria a oportunidade de possuir um “Gold Visa”, ou seja, usufruir de tudo que uma pessoa padrão gostaria: dinheiro e respeito.
Para isso nosso protagonista sai pelo mundo e usufrui de experiências, suas e de outras pessoas que o ensinam o penoso e o sereno da vida. Mas, ainda insatisfeito, arrisca-se mais, saí em busca do isolamento, segue o seu percurso para o Alasca e lá se isola por completo.
Neste momento, a busca da liberdade se concretiza, o afastamento total a independência em relação aos demais, o fim da vaidade.
É neste ponto que os medos perdem o sentido e só resta um desejo possível, a sobrevivência. Nosso herói se da mal neste último desejo, a natureza mostrou-se imbatível ao desafio.
Parece-me importante refletir sobre a “auto-suficiência”, a noção de liberdade que surge a partir dessa possibilidade. O que mais pode parecer antagônico neste processo é o medo de amar, ou não. A incapacidade de amar é assustadora não pelo sofrimento derivado da falta de sentimentos, pois a falta deles não é um motivador do sofrimento, mas sim a sua existência. Não amar é sentir se alijado do prazer que ele proporciona, algo próximo a sentir se feliz, um sentimento que assusta, pois ele sempre precede momentos piores.
Sendo assim, a busca pela “auto-suficiência” através do isolamento é de fato uma busca pela liberdade, com o fez Christopher McCandless, contudo este auto-conhecimento quando se esta em sociedade é caótico, mesmo sendo fundamental para a liberdade.
Outro inibidor da liberdade é o contraponto que ela faz à felicidade, pois ela impede realizações de completude que estão diretamente relacionadas a uma projeção em outra pessoa ou coisa. Como podemos ser livres e dependentes simultaneamente?
Se o que nos move é o desejo, mesmo que seja o desejo primário pela sobrevivência, a liberdade já se distancia, e se posteriormente o que nos moverá é o desejo de aceitação, aí já era, seremos escravos para sempre.
sábado, 14 de agosto de 2010
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3 comentários:
Pedro, que legal que vc retomou o seu blog! Por favor continua!
Um grande abraço de Paris
Estou gostando do blog,continue mesmo!
Abç
Marcone Knight
Adoro o filme NA Natureza Selvagem. Adorei o blog! O meu é: wentrelinhas.blogspot.com.
Beijos.
Thais Wadhy
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